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15 maio

MULHER!

Publicado em Crónicas
Aviso: Este texto contém ironia. 
 
Dos dados estatísticos que a APAV nos disponibiliza de 2017, em média 5.036 mulheres foram vitimas de algum tipo de violência. Das vitimas apoiadas registam-se 82,5% do sexo feminino. Será que estes estudos foram feitos por mulheres? 
 
Quem são os culpados de todos estes crimes? As mulheres, claro está. Quem lhes disse que deveriam considerar-se pessoas?
 
Se as mulheres são vitimas de crimes sexuais, de quem é a culpa, senão delas próprias? Os homens tem desejos, claramente, e elas vestem-se de forma provocadora, não entendem que nem as burcas as tornam menos sensuais, praticamente, instigam o sexo oposto, apelam para que eles se «façam ao bife». E depois choram, seres engraçados, desprovidos de bom senso. 
 
Expurgar as mulheres da sociedade é a forma mais sábia de evitar os crimes contra as mulheres, até porque, essa mesma escumalha gera os homens no seu ventre por 9 meses, logo, a culpa de tudo o que eles fazem depois que são expelidos do útero é exclusiva de quem? Hmm… 
 
As mulheres não precisam ser independentes, não precisam de estudos superiores, de trabalhos bem pagos, ou de conduzir um carro topo de gama, para isso servem os namorados, os amigos e os maridos? E imagine-se a sorte de ter um marido abusador, um crime sexual nunca será um crime, de facto, porque ele é seu marido, e os maridos podem. Podem tudo. 
 
Inclusive, levar-te a acreditar que a culpa é tua, que tu escolheste encarnar o papel de vitima, que tu poderias permanecer em silencio, e que a tua dignidade poderia ser cozinhada em lume brando, enquanto ele te agride, abusa, e prende a tua vida numa ampulheta, assistindo em zona VIP a essa mesma vida sendo dissipada. 
 
O tempo está a contar, e se ele te matar, a culpa é tua que nasceste mulher. 
 
Letícia Brito, 11 de Maio de 2018
 
02 março

Rolex da vida

Publicado em Crónicas
O que fazes quando tens um relógio e o mesmo deixa de funcionar? 
 
Se é um Rolex não tens problemas em gastar uns bons trocos para o consertar.
 
Se foi um relógio que compraste nos “chinocas”, que te custou pouco mais de cinco euros, vais pensar duas vezes, antes de gastar dinheiro para o compor, correto?
 
Se fores suficientemente estúpido, pagas vinte pelo conserto de uma peça de cinco, se fores sábio, poupas dinheiro e compras um relógio de cem e com garantia de qualidade. 
 
O mesmo acontece com as pessoas, podes compará-las aos relógios. Existem aquelas que são baratas, que precisas dar-lhes corda com frequência e que se estragam a “torto e a direito”.
 
Depois existem aquelas com qualidade, que vão funcionar (quase) na perfeição, que não precisarão ser consertadas o tempo inteiro e que podem durar uma vida. Com sorte, algum neto sortudo ainda herda o teu Rolex.
 
Ser inteligente é saber o momento exato em que precisas deitar fora o relógio ao invés de o mandares consertar.
 
Ser inteligente é saber o momento exato de excluíres os relógios baratos da tua vida e colocares no teu pulso um relógio de qualidade.
 
Pois é, já paraste para pensar? As pessoas são exatamente como os relógios.
 
Letícia Brito
11 fevereiro

Amor, penitência e palhaços

Publicado em Crónicas
A propósito do Dia dos Namorados que este ano coincide com a palhaçada e com a penitência, é importante deixar alguns pontos assentes. 
 
Não existem relações perfeitas, mas quando se ama, a perfeição fica à parte, o importante é amar o outro com o nosso melhor.
Relações são complexas. 
 
As pessoas são diferentes e colidem. Mas as diferenças fazem com que, na mesma medida, as pessoas se aproximem umas das outras e se completem.
 
Haverá dias maus e bons. Momentos em que teremos vontade de desistir, e outros em que vamos parar, refletir e compreender o amor.
 
Seremos orgulhosos, mas daremos o braço a torcer e vamos à guerra – e quem vai à guerra, dá e leva, já diz o ditado.
 
Vamos agarrar o outro com unhas e dentes, porque é disso que é feito o amor: é um dar sem esperar receber, é uma luta constante até ao fim.
 
Se hoje o dia foi chuvoso, podemos pintar um arco-íris no nosso céu, afinal, quando duas pessoas se amam, não importa o que aconteça, elas sempre arranjarão uma forma de ficarem juntas. 
 
Não fiquemos em relações que são verdadeiras penitências, que nos corroem até aos ossos, mas também, não façamos do amor, uma autêntica palhaçada. Que amar só vale a pena se for para rir, é verdade, mas rir de tudo é desespero.
04 fevereiro

TERRA DA LIBERDADE

Publicado em Crónicas
Entre 2013 e 2016, a APAV registou um total de 29.619 processos de apoio a pessoas vítimas de Violência Doméstica, mais de 85% eram mulheres.
 
Mulheres que viram os seus sonhos serem interrompidos, os seus objetivos serem espezinhados quando deram o último suspiro agonizando uma morte que não mereciam.
 
Quando o sol brilha é para todos, correto? Então onde fica a igualdade de género? Esse termo rodeado de tabus, que suscita discussão, preconceito, medo e morte?
 
A igualdade de género implica abolir a discriminação entre os sexos, e que não seja favorecido o homem em nenhum aspeto da vida social, tal como era frequente há algumas décadas.
 
Atualmente, a sociedade tenta mascarar a realidade afirmando que as mulheres já conquistaram todos os direitos e escolhas que as colocam em pé de igualdade com os homens. Mentira absurda! Os media, em geral, propagam fortemente na publicidade, nas telenovelas e nos filmes, a passividade da mulher em relação ao homem e legitima o corpo da mulher como objeto sexual.
 
Igualdade de género nunca matou ninguém, mas o machismo mata todos os dias e é importante que todos tenhamos uma noção clara destes conceitos, para que possamos entrar numa luta justa. 
 
Não serei mulher livre enquanto outras mulheres viverem oprimidas. Viverei acorrentada, ainda que as correntes delas não sejam as minhas. 
O sol quando brilha é para todos, não é?
 
Então porque é que algumas mulheres nunca mais poderão vê-lo brilhar?