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12 dezembro

Francisco ribeiro da mota recebe chave de honra do município

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Francisco Martins Ribeiro da Mota, o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Paredes eleito depois do 25 de abril de 1974, foi homenageado, na manhã deste sábado, 12 de dezembro, em Sessão Solene no Salão Nobre dos Paços do Concelho, sendo-lhe entregue a Chave de Honra do Município de Paredes. “É a mais alta distinção municipal, atribuída apenas a Chefes de Estado ou de Governo e a Presidentes de Câmara”, realçou Celso Ferreira, no seu discurso durante a cerimónia.

“O Sr. Francisco Ribeiro da Mota foi o primeiro Presidente da Câmara Municipal de Paredes a ser escolhido pelo povo, com todo o simbolismo que isso acarreta. Por isso mesmo, penso que é da mais elementar justiça que a Sala de Audiências do edifício dos Paços do Concelho passe a ter o seu nome. E também já está deliberado que vamos ter a Rua Francisco Ribeiro da Mota na cidade de Paredes”, revelou ainda o Presidente da Câmara.

O neto mais velho do ex-Presidente da Câmara de Paredes, Diogo, fez depois o emocionado elogio do avô, antes de os convidados que encheram o Salão Nobre dos Paços do Concelho se deslocarem à Sala de Audiências para verem Francisco Ribeiro da Mota cortar simbolicamente a fita para a nova denominação. Foi depois tempo para a tradicional fotografia de grupo, em frente ao edifício da Câmara, que registou o momento para a posteridade. E estava completa a homenagem.

Quanto ao homenageado, Francisco Ribeiro da Mota, casado, desde 1965, com Maria Olga Coelho Barbosa de Barros, com quem teve dois filhos, tem pautado a sua vida pelo exemplar exercício cívico da cidadania e pela dedicação ao associativismo. Nascido no lugar de Casais, em Gandra, a 28 de fevereiro de 1937, frequentou naquela freguesia do concelho de Paredes a escola primária, estudando depois até ao 7.º ano do Liceu no Colégio Almeida Garrett, no Porto. A medicina esperava-o na Universidade do Porto, em 1958, mas o início da Guerra Colonial, em 1961, interrompeu-lhe a vocação no 3.º ano do curso.

Chamado a cumprir o serviço militar obrigatório, lutou pela pátria na Guerra do Ultramar, em Moçambique, para onde foi em 1963, sendo condecorado por duas vezes por bravura em combate. Mas sacrificou, devido a essa mesma guerra em que passou os anos mais difíceis da sua existência, a conclusão do curso de medicina. O 25 de abril de 1974 «devolveu-o» à vida civil e desde logo abraçou a causa pública e as boas práticas da cidadania e do associativismo.

Em 1975, assumiu o cargo de Comandante dos Bombeiros Voluntários de Lordelo, em pleno período do Processo Revolucionário em Curso (PREC). Foi o início de uma missão que desempenhou ao longo de 31 anos, apetrechando primeiro a corporação a nível de recursos humanos e de recursos materiais, e dotando-a depois de modernas instalações. No processo, foi ainda diretor do jornal A Agulheta, propriedade da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lordelo.

Um ano mais tarde, em 1976, depois das eleições para a Assembleia Constituinte e das Legislativas, chegara a hora do primeiro sufrágio autárquico em democracia, ainda se vivia o rescaldo do PREC. Francisco Ribeiro da Mota gozava de grande prestígio no concelho, e PSD e CDS tentaram capitalizá-lo, mas seria este último partido político a convencê-lo, por se identificar mais com a sua ideologia. Ainda recusou uma primeira abordagem, mas acabaria por aceitar o desafio, vencendo as eleições.

Foi eleito presidente da Câmara Municipal de Paredes a 12 de dezembro de 1976, fez precisamente 39 anos no dia da homenagem, e tomou posse a 6 de janeiro de 1977. A 2 de agosto desse mesmo ano, porém, foi assinada a última ata enquanto presidente de câmara. Esteve 209 dias no exercício das funções. As pressões e ameaças de que foi alvo naquele conturbado período da História recente de Portugal, aliadas ao stress pós-traumático da guerra, fizeram com que a família o forçasse a resignar. Foi uma das decisões mais difíceis da sua vida, porque não queria defraudar aqueles que, através do voto, disseram acreditar em si.

Da sua gestão autárquica, destaque, entre várias outras medidas, para o fim do trabalho camarário aos sábados, fruto da sua permanente preocupação com o bem-estar e as condições de trabalho dos seus colaboradores. Francisco Martins Ribeiro da Mota é um símbolo da democracia em Paredes.