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16 fevereiro

FELGUEIRAS - MOSTEIRO DE POMBEIRO ACOLHE EXPOSIÇÃO DEDICADA A MANUEL DE FARIA E SOUSA

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Entre 15 de fevereiro e 29 de março, a antiga tulha do Mosteiro de Santa Maria de Pombeiro, em Felgueiras, acolhe uma exposição comemorativa do 430º aniversário do nascimento de Manuel de Faria e Sousa. Natural de Pombeiro, Manuel de Faria e Sousa (1590-1649) foi um notável historiador, poeta, tradutor, biógrafo, polígrafo e artista hábil no desenho à pena. A inauguração desta exposição documental está agendada para o próximo dia 15 de fevereiro, sábado, às 16h30. 
A apresentação do tema será efetuada por José Valle de Figueiredo, professor, poeta e crítico literário.  A exposição, de entrada livre, estará disponível para visitas de quarta-feira a domingo, entre as 10 e as 18 horas.
 
No dia 28 de março, sábado, terá lugar uma conferência temática naquele monumento nacional, proferida por Zulmira C. Santos, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Uma organização da Rota do Românico e da Câmara Municipal de Felgueiras, com o apoio da Direção Regional de Cultura do Norte e da Paróquia de Pombeiro.
 
Manuel de Faria e Sousa
Nasceu na quinta do Souto, em Pombeiro de Ribavizela, Felgueiras, a 18 de março de 1590.
Com os monges beneditinos de Pombeiro aprendeu as primeiras letras. Embora os pais pretendessem que ele seguisse a vida religiosa – motivo que o levou a estudar em Braga e, mais tarde, a viver no Porto como secretário de D. Gonçalo de Morais, bispo da diocese –, Faria e Sousa ambicionava outro rumo para a vida.
Em 1614, casa com Catarina Machado. Passados quatro anos, deixa a cidade do Porto e vai viver, com a mulher e filhos, para Pombeiro, para junto de seus pais, na quinta da Caravela, dedicando-se à agricultura e à leitura.
Conhecendo as suas qualidades intelectuais, Pedro Álvares Pereira, conde de Muge, que era secretário do Conselho de Estado de Filipe III de Espanha, convidou-o para seu secretário. Com 29 anos de idade, Faria e Sousa parte para Madrid. Exerceu o cargo até 1622, data em que o conde de Muge morreu. Sem trabalho em Madrid, regressa a Portugal. De imediato, foi requisitado pelo marquês de Castelo Rodrigo, para escrever a sua história genealógica.
A 11 de outubro de 1631, segue para Roma para ocupar o cargo de secretário da embaixada do reino junto do papa Urbano VIII.
A 28 de junho de 1634, regressa a Madrid, onde foi preso por suspeita de conspiração contra a monarquia Filipina. Considerado inocente, é posto em liberdade, mas com residência fixa em Madrid. Nunca mais voltou a Portugal.
Morreu a 3 de junho de 1649, sendo sepultado em Madrid.
A 6 de setembro de 1660, os seus restos mortais foram transladados para a igreja de Pombeiro. As ossadas foram colocadas junto do altar do Cristo Crucificado. Frei Bento da Ascensão mandou esculpir, entre os anos de 1719 e 1728, o epitáfio que se encontra no seu sepulcro. Posteriormente, quando renovaram o pavimento, a pedra sepulcral foi mudada para junto do púlpito, do lado da Epístola, onde se encontra atualmente.
O escritor possuía uma vastíssima erudição. Conquanto se tenha dispersado por diversos géneros literários, a historiografia e a poesia foram aqueles em que mais se empenhou.
Como historiador, foi sua intenção redigir uma história geral de Portugal. O volume Epitome de las historias portuguesas, de 1628, marca o começo do projeto, seguindo-se os volumes dedicados à Asia, à Europa, à Africa e à America portuguesa.
Faria e Sousa foi um devoto camonista. Ele desejava que o autor d'Os Lusíadas não fosse um vulto indeciso, mas uma figura incontestável para servir de modelo ao povo português.
Manuel de Faria e Sousa foi um dos portugueses mais eruditos de seiscentos.