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Já dizia aquele ditado super antigo, tipo da época dos romanos que “à mulher de César não basta ser, é preciso parecer”.
 
Tenho pena dessa tal mulher de César, pois tem de viver com uma pessoa que tem a mania das grandezas.
 
Este ditado claramente não se aplica ao cidadão Sócrates.
 
Não ao da Grécia antiga! Mas ao do Portugal contemporâneo. Se bem que ambos vivem sob a mesma máxima “Só sabem que nada sabem”!
 
José Sócrates não diz que tem. Ele não vive de aparências, meus caros! Ele diz à “boca cheia” que os bens não são dele, que são fruto de empréstimo de familiares e amigos!
 
“Botai” olhinhos nele! Ele é um exemplo a seguir. 
 
Quem de vós, mulheres com maminhas de silicone, é capaz de assumir que pôs implantes mamários? Ninguém, não é? Tudo natural! Pois estou convencida de que se José Sócrates tivesse maminhas de silicone, era menino para dizer que as que ele tem maminhas são, afinal, do primo que ele tem em Quinxassa.
 
Sócrates, por exemplo, tem 61 anos. Mas, na realidade 50% da sua idade está dividida entre os seus familiares e amigos. Ele é uma pessoa que gosta da partilha e, principalmente que façam a partilha com ele.
 
Os filhos que ele tem, por exemplo, são metade dele. A outra metade é da ex-mulher. Sim, ex-mulher. Ele também não quis arcar com mais essa responsabilidade e despesa. 
 
O livro que ele escreveu, diz-se à boca pequena que não foi ele que escreveu. Deve ter sido também um amigo que escreveu e ele, muito gentilmente, cedeu para que o seu nome surgisse como autor. Vê-se logo que é uma pessoa desapegada dos bens materiais e voltada para a cenas filosóficas da vida.
 
Nós temos muito a aprender com o nosso concidadão José Sócrates. Que é uma pessoa que parece ser rico, mas não é. Porque ele não anda aí a dizer: “ai e tal que tenho um apartamento em Paris, com vista para a Torre Eiffel!” Não senhora! Fossemos nós, comuns cidadãos, dizíamos com toda a pompa e circunstância: “Vou passar as férias de Natal ao MEU apartamento de Paris!”. Mas, na realidade, esse apartamento é, afinal, um empréstimo de um tio de um amigo. 
 
É muito mais fácil e aprazível quando se tem um primo, tio ou amigo, que volta e meia, te dá uma casa ou te dá dinheiro.
 
Nesta altura natalícia, tão propícia à hipocrisia das aparências olhai para o exemplo de uma pessoa que tudo o que tem, nada é dele. Quereis mais desprendimento do que este? É muito enjoativo teres de viver sempre no mesmo apartamento. Principalmente quando tens de o pagar durante 50 anos. 
O que têm em comum as pêgas (aves), poupas (também aves) com o sobre-endividamento das famílias portuguesas?
 
Aparentemente, nada. É até um bocado estúpido fazer essa analogia.
Mas vai fazer sentido se fizermos uma reflexão sobre isso. Tudo anda à volta dos ninhos (casas).
 
De quando em vez, a minha mãe, que gosta imenso de ditados populares portugueses, e é ainda da época em que era possível fazer poupança, quando se comenta que alguém é forreta e que não gasta dinheiro com os pequenos (ou grandes) prazeres da vida para poupar para o dia de amanhã, senhora minha mãe utiliza o sábio ditado "Poupa, poupa e fazes um ninho de merda cocó!"
 
Toda a sabedoria popular portuguesa numa só frase!  E faz sentido fazer esta analogia da poupança com o ninho das Poupas e das Pegas, e passo a explicar:
As poupas são umas aves muito giras que, para além de terem um carrapito na cabeça (poupa,) fazem, literalmente, um ninho de excrementos. As poupas nidificam em buracos de árvores e, como forma de afastar eventuais predadores, estas expelem uma substância fétida. Daí o ditado.
 
Traduzindo isto para a vida do dia-a-dia, os portugueses, nos tempos que correm, não poupam, ponto. Portanto, isto já não é como antigamente, em que as pessoas metiam o dinheiro debaixo do colchão e pagavam a casa a pronto.
 
Atualmente o português vai ao banco e endivida-se até ao tutano para comprar casa, com crédito a 150 anos, com quatro fiadores e atestado criminal imaculado. Lá está: o tal ninho de merda! E de merda porquê? Por variadíssimas razões:
 
1.º Pedir crédito é uma merda (eu que o diga). É mais fácil sair do Protocolo de Quioto do que te livrares de um crédito.
2.º Os créditos são mais duradouros do que os casamentos. Aliás, podes acabar com o casamento, mas o banco jamais de te deixa sair do crédito.
3.º Mesmo que morras e tenhas o seguro de vida em dia, quem cá fica terá sempre de provar que morreste para que a seguradora ative o seguro. Por vezes um simples atestado de óbito não chega...
4.º Até podes ter morrido, mas deixas dívidas e descendência? A tua vida, só, não chega. Tens toda uma árvore genealógica para continuar a pagar o crédito.
 
Mas há ainda outro ditado popular português que ilustra bem o explicado supra: "Ninho feito, pega morta".
Lá está: estás com quase 120 anos, terminas de pagar o crédito ao banco e tens um AVC ou ataque cardíaco e "bates a bota" sem gozares um sequer minuto de liberdade bancária.
Trabalhaste até aos 100 anos (sim, qualquer dia a idade da reforma vai ser essa!) para andares de "cara levantada" e "não deveres nada a ninguém", tens as contas em dia e olhas para trás e tomas consciência de que sobreviveste a um crédito.
 
Não VIVESTE! "Arrastaste correntes" para deixar uma casinha para os filhos que, eventualmente, mais tarde, nem sequer vão querer aquela casa e vão viver para Bali, depois de fazer o roteiro do livro "Comer, Orar, Amar".
De facto, eles é que estão certos, porque o melhor da vida é comer, orar e amar.
O Cristóvão morreu. Poderia ser só isto. Mas não. É preciso dizer mais. É preciso dar voz ao Cristóvão. É preciso lembrá-lo. 
O Cristóvão era um menino pobre. Vivia com a avó que cuidava dele como se fosse a sua mãe, a mesma que deu de fosques quando o trouxe ao mundo. 
 
O Cristóvão foi crescendo, sempre sorridente, enérgico e brincalhão. Era um miúdo travesso, o Cristóvão. Não era apaixonado pelos estudos, mas tinha um dom. Desenhava como ninguém. Desenhava pessoas, flores, animais. O desenho era a sua paixão e companhia dos dias de solidão. 
 
Apesar de ser um menino simpático, o Cristóvão cheirava mal. As outras crianças afastavam-se dele, ignoravam-no. Mas ele não tinha culpa. Era pobre. E em alguns momentos, precisava até de surripiar o lanche dos amiguinhos para poder encher a barriga e matar a fome antes que ela o matasse. 
 
Portava-se mal, de vez em quando. Rebelde. Matreiro. Às vezes, juntava-se aos meninos maus, mas não era mau. Procurava integrar-se. E fazer asneiras era a forma de se ligar às outras crianças. De ser aceite. 
 
Foi-se tornando homem, e as circunstâncias da vida levaram-no a tomar muitas escolhas erradas. 
 
Hoje o Cristóvão morreu. Espancaram-no até à morte. Mas como sabemos, a justiça não funciona bem, e os malfeitores irão caminhar ao nosso lado, sem que imaginemos que carregam nas mãos, o sangue do Cristóvão. É que o Cristóvão era pobre, estava por conta própria, vivia, como quem diz, ao Deus-Dará. E como sabemos, a justiça não funciona bem para os Cristóvãos deste país.
 
Hoje recordemos esse rapazinho que mesmo não tendo tido o amor da mãe, no dia de celebrar as mães, desenhava com carinho rosas e malmequeres para os seus amiguinhos oferecerem às mamãs. O miúdo travesso a quem a vida foi madrasta. O miúdo que sorria mesmo com fome.
 
Que a morte do Cristóvão não seja em vão. Que sirva para que sejamos capazes de estender a mão a quem precisa, que saibamos acarinhar aquele que sofre, e que o mundo comece a dar as mesmas oportunidades a quem não nasce em berço de ouro. 
 
Se a vida do Cristóvão não fez a diferença no mundo, que a sua morte seja capaz de a fazer.
Entre 2013 e 2016, a APAV registou um total de 29.619 processos de apoio a pessoas vítimas de Violência Doméstica, mais de 85% eram mulheres.
 
Mulheres que viram os seus sonhos serem interrompidos, os seus objetivos serem espezinhados quando deram o último suspiro agonizando uma morte que não mereciam.
 
Quando o sol brilha é para todos, correto? Então onde fica a igualdade de género? Esse termo rodeado de tabus, que suscita discussão, preconceito, medo e morte?
 
A igualdade de género implica abolir a discriminação entre os sexos, e que não seja favorecido o homem em nenhum aspeto da vida social, tal como era frequente há algumas décadas.
 
Atualmente, a sociedade tenta mascarar a realidade afirmando que as mulheres já conquistaram todos os direitos e escolhas que as colocam em pé de igualdade com os homens. Mentira absurda! Os media, em geral, propagam fortemente na publicidade, nas telenovelas e nos filmes, a passividade da mulher em relação ao homem e legitima o corpo da mulher como objeto sexual.
 
Igualdade de género nunca matou ninguém, mas o machismo mata todos os dias e é importante que todos tenhamos uma noção clara destes conceitos, para que possamos entrar numa luta justa. 
 
Não serei mulher livre enquanto outras mulheres viverem oprimidas. Viverei acorrentada, ainda que as correntes delas não sejam as minhas. 
O sol quando brilha é para todos, não é?
 
Então porque é que algumas mulheres nunca mais poderão vê-lo brilhar?  
O ser humano falha e são as suas falhas que o permitem aprimorar-se.
 
No entanto, o medo de falhar é uma constante. Está sempre presente, como uma pulga profundamente entranhada no nosso corpo.
 
O que acontece é que ao permitirmos que as nossas crianças cresçam toldadas pelo medo, estamos a projetar um futuro triste e sem sonhos. 
 
Quantos de nós já desistimos de fazer aquilo em que realmente éramos bons?
 
Quantos de nós já desistimos de trabalhar com o que nos entusiasma e dá vigor à vida?
 
Matar o sonho é matar o que temos de verdadeiramente nosso, e infelizmente, os sonhos dos mais novos são aniquilados logo que se dão a conhecer. 
 
Crescemos numa era descartável, as pessoas assemelham-se a fotocopiadoras em massa, e vivemos para servir os ideais que nos foram incutidos desde tenra idade, ideais esses que fazem com que nos esqueçamos da nossa essência.
 
Nem todos nascemos com o desejo de seguir um curso de medicina, nem todos somos génios da matemática… Alguns de nós, queremos apenas seguir o coração! 
 
«Mas tu tens de ser alguma coisa, tens de tomar uma decisão», e se eu não quiser tomar decisão alguma? Dizem que as pessoas que se aventuram em dezenas de ofícios, fazem-no porque não sabem o que querem, de facto, da vida. 
 
Mas quem escreveu essa lei que nos obriga a escolher uma profissão e a conformarmo-nos a vida inteira com um trabalho que não nos faz sorrir?
 
Quem disse que precisamos optar por um mestrado numa área que nem gostamos assim tanto em detrimento de vários outros cursos que não nos garantem saídas profissionais, mas nos fazem sentir completos e felizes?
 
Eu quero ser tudo o que gosto de fazer, e se é esse o desejo das nossas crianças, então talvez seja nosso dever deixá-las serem tudo o que elas quiserem, desde que o sejam com dignidade e respeito. 
 
Será que é mais importante formar adultos felizes ou adultos doutores?